sábado, 4 de março de 2006

UM PONTO PARA A VIDA...


Um ponto para a vida.
Por Elaine Tavares - jornalista no OLA/UFSC


Foi na universidade. Uma dessas cenas maravilhosas
que não acontecem todoo dia, mas que têm o poder de mudar o rumo da história.

Foi protagonizada por um menino que decidiu salvar a vida de um cachorro.

O animalzinho esperava na sala, amarrado a uma mesa, para ser morto em nome da ciência.

O garoto, de nome Thales, olhou para o bichinho e o bichinho olhou para oThales. Não houve vacilação. Thales desamarrou o cachorro, abraçou-o e saiu correndo porta afora. Aquele não morreria.

A ação provocou uma confusão no curso de Biologia e no Centro de Ciência Biológicas. Punição, debates, acaloradas discussões e, por fim, o encerramento da prática da morte de animais. Thales Trez, o garoto que salvou o cachorro, ensinou a todos na UFSC, uma bela lição.

Ele dizia que: "um dia, o ser humano vai perceber que o que fazemos hoje com os animais é uma violência absurda, e as coisas vão mudar".O tempo passou, o Thales se formou, foi para fora do país, fez mestrado, doutorado, está aí dando aula, fazendo luta, e as coisas pareciam não mudar.

Por isso, me surpreendeu a notícia de que, em Florianópolis, um jovem tenha sido condenado por ter assassinado um cachorro, com requintes de crueldade. A notícia me tocou o coração e logo me fez lembrar do garoto dos olhos clarinhos e cabelos esquisitos que tantas lições nos deu por aqui mesmo, no campus.

Talvez, realmente, as coisas tenham começado a mudar. Os bichos passam a ser respeitados como vida e ninguém pode matar um ser vivo assim, impunemente.

Alguns podem dizer: Mas "quá"! Temos que nos importar com os garotos e garotas das comunidades de periferia que estão aí sendo assassinados, a cada noite, pela guerra do tráfico.
E eu diria. Alto lá, cara pálida. Eu me importo.
Quem não se importa é quem segue vivendo a sua vidinha amorfa, cuidando só da farinha do seu pirão.

Eu luto por um mundo justo, digno, em que caibam todos. Humanos, animais e vegetais, na harmonia cósmica.

A luta pelos humanos fazemos nas ruas, nas instituições, na discussão das políticas públicas.
E, nela, contamos com a gente mesmo, as vítimas, osoprimidos e deserdados que, quando não podemos mais agüentar, nos rebelamos das mais diversas formas.

Mas os animais, com seus olhos mansos, não sabem falar a língua dos homens. Não podem ainda intervir nas políticas, nos processos, da maneira como nós podemos fazê-lo.

Hoje, ainda precisam de nós. Assim como os vegetais que sangram nas florestas decepadas.
Daí a importância de uma decisão como a que foi tomada contra o jovem que matou o cachorro a pontapés.

A cadeia da vida é inexorável, mas nenhum ser vivo pode ser morto assim, torturado e violentado, sem que nada aconteça.

Acredito, assim como Thales, que um dia os humanos vão perceber o tremendo erro que cometeram ao considerar os animais como seres inferiores ou apenas dignos de bilú-bilú.

Os bichos - e isso nos inclui - são seres desse grande jardim que é o mundo da vida e como vida merecem respeito e amor. Dia virá, eu sei!...

Um comentário:

Ada disse...

Meus olhos marejaram ao ler esse poema. Pena chegar-nos como autor desconhecido, pois ele deve ter outros bonitos assim... Amei seu Blog! Obrigada pelo brinde de bondade! Beijos mil. Ada