quarta-feira, 1 de março de 2006

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS



Direito dos Animais... Posted by Picasa

Declaração Universal dos Direitos dos Animais

(da qual o Brasil é signatário)

A UNESCO aprovou em 1978, em Paris, a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO ANIMAL, seguindo a mesma trilha filosófica da Declaração universal dos Direitos do Homem, votada a 30 anos pela ONU, o Dr. Georges Heuse, secretário geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta Declaração.

A DECLARAÇÃO

Art. 1º) Todos ps animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Art. 2º) O homem, como a espécie animal, não pode exterminar outros animais ou explorá-los violando este direito; tem obrigação de colocar os seus conhecimentos a serviço dos animais.

Art. 3º) 1) Todo animal tem direito a atenção, aos cuidados e a proteção dos homens.
2) Se a morte de um animal for necessária, deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.

Art. 4º) 1) Todo animal pertencente a uma espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e tem direito a reproduzir-se,
2) Toda privação de liberdade, mesmo se tiver fins educativos, é contrária a este direito.

Art. 5º) 1) Todo animal pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e liberdade que forem próprias da sua espécie;
2) Toda modificação desse ritmo ou dessas condições, que forem impostas pelo homem com fins mercantis, é contrária a este direito.

Art. 6º) 1) Todo animal escolhido pelo homem para companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente á sua longevidade natural;
2) Abandonar um animal é ação cruel e degradante.

Art. 7ª) Todo animal utilizado em trabalho tem direito à limitação razoável da duração e da intensidade desse trabalho, alimentação reparadora e repouso.

Art. 8º) 1) A experimentação animal que envolver sofrimento físico ou psicológico, é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade;
2) As técnicas de substituição devem ser utilizadas e desenvolvidas.

Art. 9º) Se um animal for criado para alimentação, deve ser nutrido, abrigado, transportado e abatido sem que sofra ansiedade ou dor.

Art. 10º) 1) Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem;
2) As exibições de animais e os espetáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal.

Art. 11º) Todo ato que implique a morte desnecessária de um animal constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.

Art. 12º) 1) Todo ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie;
2) A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Art. 13º) 1) O animal morto deve ser tratado com respeito;
2) As cenas de violência contra os animais devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos do animal.

Art. 14º) 1) Os organismo de proteção e de selvaguarda dos animais devem ter representação em nível governamental;
2) Os direitos do animal devem ser defendidos por lei como os direitos humanos.

ODE AO GATO DE PABLO NERUDA


Ode ao Gato Posted by Picasa

ODE AO GATO
Pablo Neruda
tradução: Eliane Zagury

Os animais foram imperfeitos,
compridos de rabo, tristes de cabeça.
Pouco a pouco se foram compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça vôo.

O gato, só o gato apareceu
completo e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

Não há unidade como ele,
não tem a lua nem a flor tal contextura:
é uma coisa só como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno firme e sutil
é como a linha da proa de uma nave.

Os seus olhos amarelos deixaram
uma só ranhura para jogar as moedas da noite .

Oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão,
nupcial sultão do céu das telhas eróticas,
o vento do amor na intempérie
reclamas quando passas
e pousas quatro pés delicados no solo,
cheirando, desconfiando de todo o terrestre,
porque tudo é imundo
para o imaculado pé do gato.

Oh fera independente da casa,
arrogante vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta dos quartos,
insígnia de um desaparecido veludo,
certamente não há enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti
e pertences ao habitante menos misterioso

talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios de gato,
companheiros, colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.

Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e o seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.

Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.

O RON-RON DO GATINHO


O ron-ron do gatinho Posted by Picasa

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ron-ron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho.


Ferreira Gullar
Poema do livro "Um Gato Chamado Gatinho"

O GATO


O Gato Posted by Picasa

O gato é secreto.
Tece com calma o mistério do mundo.
O gato é elétrico.
Pura energia a percorrer a espinha.
O gato é orgulho.
Sem humildade, jamais se entrega.
O gato é desejo.
Atração pela lua e telhados.
O gato é sagrado.
Olho no olho que brilha.
Um susto.
Parece que vemos Deus.

Donizete Galvão

DOIS SONHOS...

DOIS SONHOS Posted by Picasa

O gato dorme a tarde inteira no jardim.
Sonha (?) tigres enviesados a chamá-lo para a fraternidade no jardim.
Continua dormindo, enquanto ignoro a natureza e o limite do seu sonho
e por minha vez
também me sonho (inveja) gato no jardim.

Carlos Drummond de Andrade

MANUAL DOS GATOS

"Encontre um raio de sol e cochile nele."


Manual dos Gatos
(Autor desconhecido)

Faça do mundo o seu playground:

  • Sempre que não der tempo de ir até a caixa sanitária, cubra com qualquer coisa! Meias resolvem satisfatoriamente.
  • Quando estiver com fome mie bem alto! Eles o alimentarão apenas para fazê-lo ficar quieto.
  • Sempre encontre algum raio de sol e cochile nele.
  • Cochile sempre.
  • Quando estiver encrencado, apenas ronrone e faça cara de "lindinho".
  • A vida é muito difícil, então cochile.
  • A curiosidade nunca matou nada, a não ser umas poucas horas.
  • Quando na dúvida, finja saber o que está fazendo.
  • O tempero da vida é variar. Um dia, ignore as pessoas, no outro as chateie.
  • Suba na vida, é para isso que as cortinas servem.
  • Deixe sua marca no mundo, ou ao menos borrife em cada canto.
  • Seja sempre generoso, um passarinho ou camundongo deixado na cama diz a eles " eu me importo".

GATOS E LIVROS...

Gatos e livros são, realmente, uma combinação perfeita. Nenhum outro animal sabe respeitar o silêncio e a introspecção de quem possui o hábito de ler. Ou, analisando melhor, nenhum outro animal compartilha tão intimamente desse silêncio e desse olhar mudo, com que investigamos o nosso íntimo.
Eles guardam o que Cecília Meireles chamou de "soberana melancolia" e, ao olharem para nós, investigando as nossas angústias, brota nos seus olhos erguidos o arco-íris, resumo do dia, ressuscitando dos seus olvidos, onde apagado cada um jazia, abstratos lumes sucumbidos.1

Charles Baudelaire apreciava mergulhar nesse olhos "de ágata e aço";
olhos que, para Pablo Neruda, deixaram uma só ranhura para jogar as moedas da noite (...).2

E se Cecília Meireles afirmava que eles "proclamam a monarquia da renúncia", para o poeta chileno o felino é como um pequeno imperador sem orbe, conquistador sem pátria mínimo tigre de salão, nupcial sultão do céu das telhas eróticas (...).

Poetas das mais diferentes estirpes inspiraram-se nesses seres que parecem carregar, na elasticidade dos passos e na independência em relação aos homens, um segredo que a Semiótica ainda almeja desvendar.

A fleuma felina é carregada de um leve desprezo. Impassíveis, aparentando superioridade e, até, uma certa arrogância, eles nos conquistam e, como julgou alguém, nos domesticam. Byron estava certo: "O gato possui beleza sem vaidade, força sem insolência, coragem sem ferocidade, todas as virtudes do homem sem vícios."

E Mark Twain, com desculpável pessimismo, também acerta: "Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato."Absolutos, plenos, únicos, independentes e visceralmente higiênicos, eles também sabem ser afáveis, mas sempre com distinção e nobreza.

Meus quatro gatos - o mais velho, sentado sobre os livros, ao meu lado, e a mais jovem esparramada na almofada e os outros dois deitados no sofá - olham-me e parecem, além de entender-me, concordar comigo. O primeiro inclina-se na minha direção, com os olhos faiscando num azul ambíguo, e, mostrando que sua intimidade com minha biblioteca não tem sido vã, sugere-me o final deste artigo, sussurrando-me, ao ouvido, uma frase que creio ser de Jean Cocteau: "Prefiro os gatos aos cães, porque não há gatos policiais."


1Os Gatos da Tinturaria, Cecília Meireles.
2Ode ao gato, Pablo Neruda.